- Dermatite
das dobras faciais
Possuem maior predisposição animais
das raças Boxer, Buldogs e Pequinês.
A dobra facial pode atritar-se com a córnea
causando ulceração e queratite.
Como tratamento definitivo recomenda-se a correção
cirúrgica, mas por a dobra facial ser tida
como padrão racial, a sua retirada produziria
uma falta grave em animais de exposição.
Paleativamente,
o tratamento baseia-se na limpeza com Peróxido
de benzoíla a 2,5%, diária, ou uma a
duas vezes na semana; e aplicação de
adstringente.
- Dermatite
da prega labial
Maior predisposição em Spaniels e São
Bernardo. O tratamento definitivo é a cirurgia
e paleativamente Peróxido de Benzoíla
e adstringente.
- Dermatite
das pregas corpóreas
Tem prevalência em animais obesos e cães
da raça Shar-pei.
Não há terapia totalmente satisfatória,
recomenda-se o uso de xampus antiseborreicos e antimicrobianos.
No caso de animais obesos associar dietas de redução
de peso.
- Dermatite
das pregas vulvares
Quando a origem desta dermatite for o infantilismo
vulvar, recomenda-se uma vulvoplastia (episioplastia).
Nos casos de fêmeas obesas, dieta para redução
de peso.
- Dermatite
da prega caudal
É
resultante da pressão da cauda em "saca-rolhas"
sobre a pele da região perineal, tem por isso
como raças predisponentes os Buldogs, Pugs
e Boston Terriers.
O tratamento definitivo consiste na amputação
da cauda, devendo-se ter cuidado com possíveis
hemorragias.
Piodermatites Superficiais
São superficiais porque envolvem apenas a epiderme
e os folículos pilosos. Dentre estas podemos
citar:
- Impetigo
É
caracterizado pela presença de pústulas
subcorneais que afetam áreas glabras da pele,
sem envolver folículos pilosos.
Localizado
principalmente nas áreas axilares e inguinais.
Não é doloroso e o prurido pode variar
de ausente a intenso.
As pústulas são facilmente rompidas
e o exudato ressecado irá formar crostas amareladas.
Acomete
principalmente cães jovens antes da puberdade
e geralmente são causados por Staphilococcus
aureus coagulase positivo, e pode estar associado
a infecções virais, parasitismo, nutrição
inadequada, ambiente contaminado e doenças
imunomediadas.
Ao acometer animais idosos, pode estar relacionado
com Diabetis Mellitus, hipotiroidismo e envolver bactérias
do gênero Pseudomonas, Proteus e E.
coli.
Como tratamento recomenda-se banhos com xampus contendo
Peróxido de Benzoíla e limpeza com iodo
povidona para apressar a recuperação.
Em casos raros, pode haver necessidade de antibiótico
terapia sistêmica por 10-14 dias.
Para sucesso do tratamento, lembrar-se de eliminar
a causa primária.
- Foliculite
superficial
Definida como uma infecção bacteriana
no interior do folículo piloso. Pode apresentar
regressão espontânea na puberdade e ser
secundária a problemas hormonais. Pode também
ser devido a tratamento inadequado da pelagem, seborréia,
parasitos e alergias.
Assemelha-se ao impetigo, localizando-se freqüentemente
nas regiões inguinais e axilares. Apresenta
aspecto primário de uma pústula com
um fio de pelo dentro. Com o avançar temos
pápulas, crostas, escoriações
e alopecia. Procurar sempre a lesão inicial.
O tratamento consiste em xampus com Peróxido
de Benzoíla e antibiótico terapia sistêmica
por 30 dias. Por poder estar associado a seborréia,
DAAP e hipotiroidismo é de extrema importância
a eliminação da causa primária.
- Dermatofilose
Causada
pelo Dermatophilus congolensis, produz uma
dermatite crostosa superficial. As crostas concentram-se
no dorso e sobre a região escapular e coxal
lateral. Pode afetar a face, os pés e as orelhas.
A dor é evidente , pelo comportamento tristonho
do animal.
Inicialmente as lesões constituem uma dermatite
purulenta e exudativa com pêlos eriçados
e crostas facilmente removíveis, revelando
pus esverdeado sobre superfície oval. Quando
em fase de resolução temos ressecamento
das crostas, descamação, hiperpigmentação
e alopecia.
Está relacionada a umidade e é secundária,
se aproveitando de lesões usadas por ectoparasitos,
traumatismos, infecções ou inflamações
leves. Pode ter associação com infestações
sarcópticas e escabiose. É facilmente
identificado em esfregaços e culturas.
Deve ser suspeitado nos casos de DUA, foliculite crônica,
dermatite seborréica, e outras dermatites crostosas
e úmidas.
Diagnóstico definitivo através de esfregaço
corado com giensa onde se observa duas a quatro fileiras
de coccus gram positivos.
Como tratamento, eliminar ectoparasitos, traumatismos
e umidade. Utilizar iodo povidona e antibiótico
sistêmico (Ampicilina, Estreptomicina, Gentamicina,
Lincomicina) por 7 a 10 dias.
Piodermatites
profundas
A infecção atinge a derme e também
o tecido subcutâneo. Geralmente são secundárias
a outros fatores como: traumatismos, infecções
ungulares, esctoparasitose, hipotiroidismo, hiperadrenocorticismo
ou neoplasias; e quando generalizadas deve se considerar
a hipótese de imunodeficiência.
Muitos microorganismos podem ser isolados alem do
Staphilococcus aureus, como Actinomyces
spp, nocardia spp, Mycobacterium spp e Mycoplasma
spp.As lesões tipicamente encontradas são
alopecia, hiperpigmentação, nódulos
cutâneos, celulite, fístulas de drenagem,
úlceras e crostas.
São sempre indicadas culturas fúngicas
e bacterianas, alem de testes de sensibilidade. Raspados
de pele também devem ser efetuados para descarte
de sarna demodécica.
- Foliculite
e Furunculose
Podem ser continuação de uma foliculite
superficial, extendendo-se, irrompendo-se através
do folículo piloso, vindo a produzir a furunculose.
Normalmente produz fístulas múltiplas
que drenam exudato purulento.
A síndrome em geral é observada como
piodermite nasal, piodermite do ponto de pressão,
podermatite e generalizada.
O agente comumente isolado é o Staphylococcus
aureus, podendo haver secundariamente Proteus
sp, Pseudomonas sp e E. coli
A foliculite ligada a bactérias, fungos e parasitos
é de início supurativa; enquanto associada
a atopia, alergia alimentar ou seborréia é
usualmente esponjosa.
- Pododermatite
Pode ter início através de lesões
causadas por corpos estranhos, traumatismo, contato
com substâncias irritantes, queimaduras (pedras
ásperas, tosa...), associadas a infecções
parasitárias ( saran demodécica,
Pelodera, Ancylostoma, Uncinária alem de
carrapatos). Pode ter início psicogênico
e é rara a associação fúngica.
Maior predisposição em Buldogs, Dinamarques,
Basset Hound, Daschshund, Dálmata, Labrador,
Weimaraner e Pastor Alemão; sendo as patas
da frente mais afetadas.
O tecido fica eritematoso e edemaciado contendo nódulos,
úlceras, fístulas e exudato serosanguinolento.
O animal tende a lamber provocando dor e claudicação.
Se
houver envolvimento dos coxins, estes se apresentarão
com hiperqueratose e ulceração, podendo
também indicar uma causa autoimune (pênfigo,
lúpus).
O
tratamento consiste em antibióticoterapia sistêmica
(cefalosporina, gentamicina, cloranfenicol), lavagem
em turbilhonamento ou compressas úmidas por
15-20 min. duas vezes ao dia e aplicação
tópica de iodo povidona e nitrofurazona.
No caso de lesões associadas a leveduras e
dermatófilos utilizar solução
local de carbonato de cálcio e enxofre a 3%.
Na demodiciose, preparar uma solução
com 0,5ml de amitracide e 30ml de óleo mineral
e passar nas lesões a cada 3 dias.
Dermatoses assemelhadas a piodermatites
- Dermatose
pustulosa infantil
É
uma reação pustulosa aguda que acomete
os cães de 3 dias a 3 semanas, observado principalmente
em Shar-pei, Pointer e Labrador.
As
pústulas progridem para crostas róseas
ou castanhas, principalmente na cabeça e corpo.
A temperatura corpórea permanece normal, porem
os filhotes tornam-se anoréxicos e deprimidos.
Como tratamento, recomenda-se o uso de cefalosporina
ou Vetalog (0,1mg I.M. ou S.C.) uma vez ao dia por
5 dias.
- Celulite
juvenil
É
uma doença vesículo pustular em cãezinhos
com menos de 4 meses e mais de 3 semanas, causada
por hipersensibilidade ou S. aureus.
As lesões ocupam principalmente a face e a
cabeça, podendo envolver orelhas, anus e prepúcio.
A pele pode apresentar-se eritematosa e alopecica,
pus e soro podem exudar formando crostas acastanhadas.
A epiderme torna-se frágil e os folículos
pilosos são destruídos , formando cicatriz
permanente. Temos também linfoadenopatia regional.
Pode haver infecção generalizada (febre,
anorexia e depressão).
O tratamento consiste em antibióticoterapia
(cefalosporina) e uso de corticóides por 2
semanas. Compressas úmidas com solução
de Burow 3 a 4 vezes ao dia durante 5 a 10 minutos,
também são indicadas.
Ana
Elisa Peixoto De Boni
Médica Veterinária
Bibliografia
Consultada:
Muller; Kirk; Scoott - Dermatologia dos Pequenos
Animais, Ed. Manole - 1985
Lorenz, M. D.; Cornélius, L. M. - Terapêutica
Clínica em Pequenos Animais, Ed Interlivros -
l986
Lorenz, M. D.; Cornélius, L. M. - Diagnóstico
Clínico em Pequenos Animais, Ed Interlivros -
1996